No quarto onde o tempo se desfaz
o silêncio não é vazio
é um sopro preso entre as frestas
um fio de luz que ninguém ouviu
Ele fala na curva do relógio
no vapor que sobe da xícara fria
no canto do olhar que se esconde
nas páginas que não viramos
no olhar que se desvia
Não tem verbo, não tem ruído
mas desenha a falta de dizer
é o nome que a memória se perde
é o abraço que deixamos morrer
Escuto-o nas madrugadas
quando a casa expira calma
voz que não pede resposta
apenas presença das lembranças
Que me leva em devaneio
Pedindo pra ser sentida
Paulo Knop ><> 27/03/ 2026