sexta-feira, 27 de março de 2026

A Voz do Silêncio

             


No quarto onde o tempo se desfaz 

o silêncio não é vazio 

é um sopro preso entre as frestas

um fio de luz que ninguém ouviu


Ele fala na curva do relógio

no vapor que sobe da xícara fria

no canto do olhar que se esconde  

nas páginas que não viramos

no olhar que se desvia


Não tem verbo, não tem ruído

mas desenha a falta de dizer

é o nome que a memória se perde

é o abraço que deixamos morrer

 

Escuto-o nas madrugadas  

quando a casa expira calma

voz que não pede resposta

apenas presença das lembranças

Que me leva em devaneio

Pedindo pra ser sentida

          

                     Paulo Knop ><> 27/03/ 2026