terça-feira, 18 de setembro de 2012

A escolha


A escolha
o abrir da opção
carrega consigo
responsabilidade.
Se escolho ir
a algum um lugar,
falar coisa, escrever
ter consciência
da conseqüência
dos atos.

                                            Atos
                                            de minha própria
                                              escolha
                                              cada escolha
                                               posta uma ação
                                                provoca mudanças
                                             em um mundo
                                               que pode, não ser o seu
                                                 não podem ser desfeitas.

                                                                               Paulo Knop  - 2012/09

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Memórias

                                                                
Há dias que não existo
Súbito invisível
Viajante de um mundo paralelo
tudo se assume,e nada vejo
Memórias viajam em devaneio
no compasso de meus pensamentos

Me perco de repente
em caminhos confusos
Traiçoeira, ataca a todo momento
no claro, no escuro ou na chuva

Equilibrando na tristeza
alegrias e arrependimentos
agente acha que esqueceu
num instante a memória
nos faz recordar
desabrocha sem cerimônia

Uma memória puxa outra
tudo se transforma
passado presente futuro
um turbilhão de recordações

Memória armazena tudo
Biblioteca sem livros
Não se muda a memória
Não se apaga
Não se faz um rascunho

Memória é sentinela,
nos vigia o tempo todo
Se vai somando a vida a fora
O que se imagina, memória guarda.

A memória não se esquece
Deus perdoa,
a memória nos faz pecar em pensamento,
O perdão é lembrar do pecado
e fingir que esqueceu
mas memória não perdoa

Tudo que a gente sente,
olha ouve toca e cheira
se guarda na memória
Realidade alimenta a memórias
de sonhos e desilusões

Vastos são os sonhos que a memória nos traz
Nada se passa despercebido da memória
A razão de sermos o que somos
Deve-se ter aprendido com nossas memórias

A memória eterniza o tempo
As vezes penso
Que a eternidade está
em nossos olhos e em nossos lábios
Seremos eternos
se estivermos vivo na memória de alguém
                                                                                                              Paulo Knop     03/2012
                       
“Inspirado num trecho do livro Antes e Depois/2006 de  Bartolomeu Campos Queiroz.”

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A maritaca do Sr. Jose.


O Sr. Jose  tinha uma maritaca. Pela manha gritava sem parar. Acordava toda vizinhança. Quando passava voando sobre a casa um bando de seus iguais, gritava ainda mais de ser tão desigual ali presa em um poleiro com os pés amarado por uma corrente. Se consolava quando o Sr. Jose  coçava seu pescoço, ou saia para passar pela vizinhança.  
       Um dia, como por encanto sua corrente se quebrou, saiu de seu poleiro rapidinho e foi para o alpendre, e de lá do alto pode ver as arvores, sentiu que podia voar novamente, e lá de cima ver a mata verdejante, e ficar bem mais perto do céu azul, e voar ate um pé de sapucaia, ir ate um pé de ceboleiro, com suas flores vermelhas e doces como o mel, e ali junto com os seus, podia  “matraquear”  a vontade, gritar bem alta para espantar outros bandos, afirmando: — aqui não. 
       Sentir novamente o calor do sol da manha, ver o sol refletindo sobre suas penas verdes, um dourado sem igual, brilho este que chama atenção de um parceiro, que com o bico acaricia seu pescoço. Voar com leveza ate aquela frondosa e antiga figueira perto da lagoa, e em seu galho mais altos e firmes fazer seu ninho e assim perpertuar, junto com seu único parceiro para sempre.
      Assim se encheu de esperança, e de coragem, naquele alpendre, abriu suas asas pulou Pum... esborrachou, lá em baixo no passeio,  tinha ela esquecido, que a maldita ambição humana, lhe tinha cortado as penas de sua aza esquerda para que ela não fugisse, e assim o Sr. Jose pudesse coçar seu pescoço, e desfilar com ela pela vizinhança.
Agora se contorce pelo chão vendo sua vida esvaindo, e o céu azul infinitamente distante,  começa a se carbonizar,  sentido uma dor profunda, mais que a dor da carne, é a dor de não ter conseguido voar, de repente  uma força, não sei de onde vem e da o seu ultimo grito como se assim dizer: — EU QUERO VOAR,  se debate mais uma vez, e com olhos fixo no céu azul, deu seu ultimo suspiro. Acabou. Ficou apenas um silencio profundo, e ela só.
           
                                                                                  Paulo Knop <><  12/07/2008

domingo, 2 de setembro de 2012

Perdão


As pessoas não são perfeitas
somos passivos de erros
Aceitar a liberdade da escolha
compreender e perdoar

Perdoar atitude árdua
é remir a consciência
por apenas ser benignico

Perdoa a si mesmo e perdoaremos.

Perdoar não é esquecer o erro
Perdoar é ouvir a suplica em segredo
Perdoar andar em caminho da benevolência
Perdoar  não muda o passado, engradasse o futuro
Perdoar o que é impossível de perdoar
Perdoar dádiva do céu

Perdoar encanta a alma
nos liberta nos leva ao empíreo
  
Perdão é uma palavra que alimenta
ensinamento deixado pelas adversidades
não se guardar rancor
não pede explicação
por si já se explica
mesmo que ninguém a entenda

Perdoar
aprender o que se aprenderia 
com a doçura da felicidade
desejos amores dissabores
esconder na imensidão do amor
que tudo se transforma
assim abstratos e complexos

Perdão
sussurros sagrados em contemplação
caminho da luz
Uma bênção tanto para quem recebe
como para quem concede
Se esquece pensamentos rancorosos
Pacientes e tolerantes, o perdão
a te perdoa a mim perdoas

Paulo Knop <>< 9/2012